Eu não gosto muito de crônicas,
mas, enfim...vamos lá.
Finalmente, li um dos livros dos
tons de cinza. Graça, eu não achei nenhuma. Fiquei me perguntando se a maioria
das pessoas que leu e amou já chegou a ler "A Casa dos Budas Ditosos" do João
Ubaldo, esse sim, um livro bastante safado.
Sempre gostei de estórias narradas
do ponto de vista das prostitutas e essa é, sem dúvida, a melhor de várias que
já li. Não só por ser uma estória despudorada, engraçada e bem escrita, como também
porque João Ubaldo escreveu com o conhecimento de causa de quem adora mulher, e
a descreve com mínimos e absurdos detalhes físicos e psicológicos.
Acho interessante como a mulher
que trabalha com o sexo é tão valorizada e desvalorizada, ao mesmo tempo, ao
longo da história da riqueza do homem, para parafrasear Leo Huberman.
Mesmo que a mulher tenha passado por todas as fases de libertação sexual e que
seja usual o sexo sem compromisso, as profissionais do sexo de todos os tipos e
preços continuam a fazer sucesso.
Outro livro muito mais divertido
que li foi o da Bruna Surfistinha (isso mesmo), o nunseioquê do escorpião. Ela
conta com detalhes porque homens normais procuram pelas prostitutas. É algo bem
elucidativo, quase educativo, diga-se de passagem.
Livro ótimo, também, é um chamado “Sexo
com Reis” de Eleanor Herman, que não tem nada de histórico, mas é um
divertidíssimo compilado de fofocas das Cortes de Carlos VI, Henrique VIII (meu
favorito) e os Luíses XIV e XV.
Se Bruna Surfistinha tivesse
nascido naquela época tinha amarrado o burro na sobra. Madame de Pompadour, por
exemplo, amante (putinha) de Luis XV, governava o palácio de
Versalhes, era procurada por embaixadores e reis para que intervisse junto ao
herdeiro do Rei Sol, nasceu pobrezinha e morreu milionária e ninguém nem lembra
o nome da rainha da época. Dizem as péssimas línguas que tinha uma coleção de joias
muito mais poderosa que a da matriz!
E a minha rainha (puta)
favorita! Ana Bolena! Teve a manha de ser mais safada que sua irmã, que tentou,
mas não conseguiu ser amante de Henrique VIII e fez o homem criar uma religião
(o anglicanismo) só para casar com ela. Dizem os historiadores que depois dela
Henrique VIII nunca mais foi o mesmo, perdeu a cabeça, mas mandou cortar a
dela. Mesmo assim a enterrou dentro da torre de Londres, ao lado de outros reis
e rainhas.
Enfim, achei a história da
ninfeta que gosta de tomar uns tapinhas do playboy meio sem graça, perto das
histórias de cortesãs que já mudaram os rumos de um reino inteiro.




