domingo, 27 de outubro de 2013

Fermentação



À sombra da verdade deitou-se a esperança para descansar.
Sem perceber dormiu sono vazio de sonhos ou pesadelos.
Dormiu sono de restauração.
Acordou sem sonhos ou pesadelos.
Porém, acordou com as folhas mais verdes.
Verdes de verdade.

Verde de verdade saiu a esperança para passear.
Andou pelas ruas sem ser notada pelos passadeiros.
Camuflada na multidão.
Andou sem receber olhares, sem zelos.
Porém, espalhou pelo chão folhas verdes.
Folhas verdes de verdade.

O vento que passava resolveu as folhas carregar.
Soprou verdes folhas por rios e desfiladeiros.
Espalhou folhas feito turbilhão.
Pedaços sem sonho ou pesadelos.
Porém, de intenso verdejar.
Pedaços verdes de verdade.

A verdade, em pedaços verdes, começou a se espelhar.
Espalhou-se esperança em todos cantos e canteiros.
Verde de fermentação. Verde de camuflagem. Verde de resistência.
Sem ser notada por ninguém.
A esperança de verdade se perpetuou.

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